28 outubro 2005

Hoje casava contigo...

25 outubro 2005

conversas .2

Ele: gosto muito de ti. gosto de ti. mas preciso de viver-te.
Ele: nenhuma relação se alimenta de intenções...
Ele: desejo-te muito. de te sentir
Ele: de estar contigo
Ele: de te ver e cheirar

Ela: pois não

Ele: desejo ter-te com todos os meus sentidos. É disso que sinto falta.
Ele: um cheiro
Ele: um toque
Ele: uma visao

Ela: :)

Ele: ... um sentido que nos preencha

desculpe?!

- Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?

Quando, às oito horas da manhã, uma rapariga, cuja beleza tinha estado a apreciar, discretamente, nos últimos 10 minutos, nos atira com uma pergunta destas à cara é caso para questionar onde acaba o sonho e começa a realidade. Porque, até àquele instante, só em sonhos eu tinha estado com ela.

- Sim, claro.

24 outubro 2005

quem te avisa, teu amigo é

não confies num animal que sangra uma semana em cada quatro e não morre

you gotta luv 'em

seja o da TSF
seja o da Antena 1
porque, nisto de fóruns, cada um tem o seu
temos de gostar dos fóruns populares
nada é melhor para começar bem o dia.

é que eu sou vegetariana... não sei onde isto vai parar. é que a comer a carcaça dos animais. e li que já 50% dos animais de grande porte foram comidos. não sei onde é que isto vai parar. é que eu sou vegetariana, mas depois de paparem os animais. não sei. vamo-nos tornar canibais. não sei. estou preocupada. é que eu sou vegetariana e ainda me papam a mim. (...)

outras vidas

Sair com uma rapariga descomprometida, inteligente - alguns tenderão a pensar que será por ser descomprometida -, muito bonita, 34 anos - ser mais velha, mas não tanto que, nem tão pouco, que crie um fosso entre nós é, por si só, um forte afrodisíaco -, curvas denunciadas e um corpo desejado por 90% dos homens e invejado por 10% das mulheres - que isto da inveja tem muito que se lhe diga -, e não desejar senão conversar e beber mais um copo pode ser muito reconfortante. É, porque é, quando sabemos exactamente o que queremos, quem nos realiza, com quem nos sentimos verdadeiramente enquadrados, verdadeiros e completos. Nestas alturas, há pessoas com quem mais do que uma boa conversa e um copo só noutra vida. Esta ainda respira.

21 outubro 2005

Hoje casava contigo...

20 outubro 2005

On se rappelle beaucoup mieux les bons moments; alors, à quoi servent les mauvais?
Boris Vian

Hoje casava contigo...


Sophie Marceau
apetece-me falar francês

19 outubro 2005

se pudesse

escolhia outro dia
escolhia-te noutro dia

18 outubro 2005

na rua onde vives (2)

na rua onde vives
perco-me em cada passo que dou

sms

Há alturas em que faço por esquecer que não existimos e vivo o aglomerado de intenções em que nos tornámos. Amo-te para a vida. Sempre

Para ti.

Se um dia me descobrires, aqui, neste canto, avisa-me. Mesmo. Sei que, se descobrires, saberás quem sou. Sei que, se descobrires, saberás quem és.

17 outubro 2005

na rua onde vives (1)

na rua onde vives
há uma porta que procuro
aberta

profissões substitutas

em termos de fantasias sexuais masculinas, ou femininas, a enfermeira pode muito bem ser substituída pela fisioterapeuta

Aqui, tudo é eterno

Entre pérolas e perfumes ela diz que a net lembra e esquece rapidamente. Com ou sem nickname.

Eu concordo.
Lembra e esquece.
Mas eu sou a net.
A minha, o que escrevo, o que leio. E se tenho alguma dificuldade em lembrar, porque tenho, há momentos que nunca serei capaz de esquecer, mesmo que quisesse.

o medo da perda

O ciúme só pode resultar de um sentimento de posse. Ou, de outra forma, de um sentimento de não posse. Só isso justifica o ciúme.

Is escrever mais sobre isso, e encontrei alguém que escreveu que ciúme é, na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele. Acabei por concordar com tudo o que lá está escrito.

Eduardo Ferreira-Santos - Ciúme - O medo da perda.

16 outubro 2005

dia da família

é hoje

15 outubro 2005

Hoje casava contigo...


Anna Kournikova
de um lado para o outro

qual foi a parte que não percebeste?!

D E I X A
-
M E

D O R M I R

deixa-me dormir...

beijos
mais beijos
já percebi que não estás
gosto de ti e tenho saudades tuas

14 outubro 2005

outras drogas

Tenho que todo o fruto proibido, qualquer que ele seja, funciona como uma droga.
Tem os seus momentos de euforia, mas, inevitavelmente, nos fará arrastar a alma pelo chão.

Até deixar de ser proibido. Até nos livrarmos dele.

Normalmente acontecem as duas coisas uma a seguir a outra. Livramo-nos dele depois de deixar de ser proibido.

13 outubro 2005

Quant.

Quantas palavras terei
de ler
para saber quem és

quantas imagens
para te ter

quantos sons
até te conseguir ver

hoje

vivo como se tivesses morrido

não sei

de que ilusão precisamos para viver

penso

no conforto que é saber, não, o que não se quer, mas, sim, o que se quer

12 outubro 2005

pistoleiro

ainda disparo em todas as direcções

Hoje casava contigo...


Calista Flockhart
fazes-me rir

um pouco do meu veneno (4)

Não podes sentir saudades. Não tens esse direito. Queres contar-me tudo! Não podes. Eu não quero saber nada. Só te quero, toda, como sempre quis. Por isso, voltas.

Aceitei a perda.

Não te perdi. Simplesmente, não te esqueci. que é como quem diz, tentei esquecer-te, mas não consegui. Mas vivo com isso. Tornaste-te numa doença crónica. Aprendi a viver com isso.

Vivo com um pouco do meu veneno.

um pouco do meu veneno (3)

Voltaste! Ainda não sofri o suficiente, por isso, voltas. Drama? Não é drama, porque a vida nunca parou. Eu segui em frente, embora não tenha encontrado outra alma gémea. Acho que, mesmo que me tenha cruzado com ela, nunca teria tido tempo de a saber como tal. Por isso não é drama, é simplesmente uma carta de amor. Esta é a minha carta de amor e tu sabes bem que
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

[Fernando Pessoa]

um pouco do meu veneno (2)

Novamente. Aconteceu-me o mesmo. Desta vez não choro. Estou triste, tenho de estar, mas nada me afectou tanto. E, diria, estou ainda mais apaixonado que da primeira vez. Já não és a mesma, não és, já não és tu, é outra, mas não choro e estou mais apaixonado. Talvez a primeira constipação me tenha protegido de alguns dos sintomas. Talvez me proteja.

Como vive alguém protegido do amor? Como vive alguém imune aos males da paixão?

um pouco do meu veneno (1)

Da primeira vez não sabia bem o que me tinha acontecido, ou melhor, sabia bem o que me tinha acontecido. Não era normal estar sentado em frente da televisão, as noticias do costume, e começar a chorar. Chorava. Aceitei a tristeza como uma leve constipação e pensei: "passa". Nunca sequer considerei a hipótese de me medicar para algo tão banal, tão vulgar. Mas estava adoentado. Chegava a casa, depois de uma saída com os amigos, já com uns copos, e ensaiava um mail, algo que pudesse fazer chegar até ti o que me revolvia por dentro. Chorava. Começava a chorar na primeira frase e não chegava a terminar o primeiro parágrafo. Nenhuma dessas mensagens alguma vez te chegou as mãos. Depois, tal como uma leve constipação, passou. Integrei-te em mim, noutra forma, mas em pleno. Consumi-te. Somos amigos. Passaste a fazer parte de mim, do meu outro, mas a vida não acabou em ti.

O tempo continua a mudar a cada estação do ano e todos os anos me constipo.

11 outubro 2005

ciclo dos amantes

encontrámo-nos
as estradas são as mesmas
os cheiros, os teus,
não mudaram
mas nessas estradas ermas
os cheiros, os meus,
não ficaram

trouxe tudo comigo
não te deixo nada
nunca.
nunca hoje.

hoje

Hoje encontrámo-nos. Não me recordo do último dia em que tínhamos estado juntos. Talvez chegue a altura em que poderei explicar como tudo aconteceu, mas talvez nunca chegue o dia em que o queira fazer. Nunca acabámos, mas fomos acabando até deixarmos de existir. Hoje voltámos a estar juntos.

Estacionámos o carro no nosso parque, à nossa hora e também fomos ao nosso restaurante. Depois, voltámos a ficar no carro a conversar, como tantas vezes fizemos. Trocámos um beijo envergonhado. Um único. Para os restantes já não houve tempo para cerimónias. Já nos vimos nus. Não há espaço para cerimónias. Foi muito bom. Foi óptimo sentir-te o corpo. Foi melhor sentir-te perto de mim.

O pior é saber que este é um jogo que não vamos conseguir ganhar.

dúvidas

às vezes pergunto-me para onde foste

continuo a ver-te, mas não sei onde estás

Nada mais que a verdade (2)

Toda a verdade e nada mais que a verdade. E, sabendo o que sei, porque disseste, vivendo o que vivi, contigo, não faz sentido se deixámos de ter esta inocência. Não sei onde a perdi. Deixei de acreditar. Parece que deixei de acreditar no único Pai Natal que conheci, mas não deixei de acreditar em ti. Simplesmente, deixei de acreditar em nós.

Ontem dizia-se que os políticos não ganham se disserem a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade. Meias verdades?! Talvez resida aí o truque da política. Talvez também aí esteja a solução para a vida.

O meu problema é que não quero metade de ti.

Quero-te toda.

Nada mais que a verdade (1)

Nós não tínhamos nenhum tipo de inocência quando começámos a nossa relação. Nunca tivemos. Não faz parte dos amantes.

Tínhamos uma, talvez. Afinal, talvez, novamente porque a nossa relação sempre foi feita de dúvidas e nunca de certezas, ninguém sobreviva sem um pouco de candura, mesmo que aparente.

Criámos o mito do toda a verdade e nada mais que a verdade. Era esse o nosso grito de inocência. Mais importante que tudo seria a verdade. Para quem tinha começado com uma mentira a verdade era o nosso oxigénio e o que nos mantinha acima de água. Flutuávamos sobre a vida não com um manto mágico, mas com a enigmática verdade.
(...)

vidas reais

Dramas amorosos. Pensamentos secretos. Blogues anónimos.
Há muitos.
Às vezes, parece que conhecemos quem os vive.
A vida repete-se. Connosco. Com os outros.

[escrevi ontem, as 20h. ficou nos drafts. antes de colocar online a maresia comenta um outro texto: fogo, correu-me um arrepio... podia ter sido eu a dizer isto, é incrível! quem és tu? . A vida repete-se.]

10 outubro 2005

saudades

Beijo enorme. Saudades tuas.

Retribuo o beijo. Dou-te tudo. Só não mato as saudades. Parecem ser a chama que te aquece o coração.
Tu não vives sem saudades.
Eu não quero viver sem ti.

desejos

Desejo-te.
Desejo-te quando não te vejo e procuro-te de olhos fechados. Não preciso de os abrir para chegar até ti. A estrada que nos une já a percorri demasiadas vezes para conseguir fazê-la de olhos fechados. Em sonhos.
Não sei de que forma poderei ser teu. Quero ser de alguém. Não ser de mais ninguém, senão meu.
Talvez não tenhas de existir. Em mim.

sentido da vista

Traz-me silêncios
que não me deixem dormir
e cheiros que não me
permitam distinguir
onde começas ou acabas

Não te quero ver o fim

Dá-me a paz
de uma guerra anunciada
Armas que não me
matem
Dá-me tudo

Das-me o teu corpo
nu
Nada
Da-me um abraço
Um cheiro que não me diga
se sou eu
se és tu

09 outubro 2005

o nosso inverno

Começou a chover.
Baixo o som da televisão para me poder sentir molhado dentro destas quatro paredes e com um tecto para me proteger. Não quero ir para a rua. Não é pelo tempo agreste, mas o aconchego de casa contrasta com o frio que a chuva traz ao cair na rua. Um frio que não existe, mas que procuro.
Arrepio-me.
Oiço cada gota cair na memória do nosso tempo.

07 outubro 2005

longe da vista

- Não ia aguentar saber dela na cama com outro.

Enquanto bebemos um copo e falamos de gajas, das gajas, deixas cair na mesa a minha maior verdade: não quero saber. Acabamos por sentir o mesmo, pelo mesmo, mas não pela mesma. Estamos dispostos a viver, tudo igual, sem condições, desde que o caminho não nos leve ao mesmo lugar, desde que o lugar não nos leve ao caminho. Essa estrada já não me trespassa o coração.
Por isso tudo está bem. Somos amigos. Conversamos. Almoçamos ou jantamos. Podemos fazer tudo. Só não quero saber se estiveres na cama com outro. Todas as verdades que construiram a nossa relação devem fundir-se na maior mentira de todas: depois de mim, mais ninguém.
Pela parte que me toca
se não souber
não aconteceu.

06 outubro 2005

contradições

Não precisas de nada. Não tens nada que me provar. Mas prova-me.

lembras-te?

Não é por fotografias que ele se deve recordar de quem quer que seja.

Por muito boas que estejam, fotografias são passado, não são presente, nunca serão futuro.

05 outubro 2005

(...)

Não foi hoje. Talvez nunca venha a ser.

04 outubro 2005

Conversas

S says: aposto que ele é mto fixe e a adora
Eclipsad says: sim
Eclipsad says: muito
S says: mas ela não...
S says: ela n quer o fácil
S says: prefere atirar-se ao outro
S says: que só quer ir prá cama com ela
S says: n é assim sempre?

rotas

Deixei de te ler. Deixei também de escrever-te e de traduzir em palavras todas as contradições que geras. Na verdade, continuo a escrever-te, como agora, mas já não lês. Deixaste de te ler em mim. É isso. Estou aqui, sem te ler porque escolhi outro caminho. Sempre a caminho de ti.

03 outubro 2005

o tempo

Passamos mais de uma hora e meia ao telefone. O jantar, que não resiste tanto quanto eu, queima-se. Eu também me queimo com o jantar, já depois de desligarmos. Continuamos e trocamos mensagens sobre o tempo.
Tanto gostas dele como o odeias, dizes tu. Eu digo que quarta feira vamos ver o tempo voar quando, na verdade, quero ver-me a voar contigo. Não sei se teremos tempo para tudo. Quero ter tempo para nós. Não precisa de ser quarta. Pode ser sempre.

Amantes

O mundo é dos amantes. Só pode ser deles, porque outro mundo não parece existir quando existem enquanto amantes. Não parece existir outra vida. Não parece existir outro homem ou outra mulher.
O mundo é dos amantes e só deles.
O mundo dos amantes é deles e de mais ninguém.
É um mundo cheio de vazio.
Um mundo de ninguém, inconsequente.

Contigo

Se pudesse,
escolhia-te.
Não te quero para mim.
Preciso-te.
Quero que existas em mim.
Se pudesse.
Contigo.

A Casa Quieta

Fazes-me
as vezes que menti a dizer que me era indiferente
falta.


Rodrigo Guedes de Carvalho

Eclipsad(o)(a)

Por trás da vida. Escondido de nada e sem nada a esconder.