30 Abril 2006

(...)

Por razões diferentes, não me recordo de alguma vez ter comprado laranjas ou nêsperas. Laranjas sempre tive à porta de minha casa e o meu vizinho sempre teve nêsperas.

no shit, sherlok

Vou à farmácia e, depois de medir a tensão, dizem-me que estou a morrer.

Entre perguntar se tem algum medicamento que resolva esse problema de vez, o da morte, e que curso lhe permitiu tirar tão brilhante conclusão escolho regressar à esplanada e beber mais um café. Cafezinho, como disse o chefe.

19 Abril 2006

As mulheres não gostam de parecer fáceis.

Depois de uma agradável tarde de conversa com uma amiga de uma amiga para falar de negócios, verdade seja dita, em que aos poucos começámos a falar de tudo até ao ponto em que deixámos de estar ali, sentados e com o café frio que nos esquecêramos de beber, para falar de negócios, depois dessa tarde, como estava a escrever, enviei-lhe, no pombo-correio do séx. XXI, uma mensagem.

“Gostava de passar mais tempo de qualidade contigo. Gostei de te conhecer. Jantar?”

Não respondeu. Amigas versadas no assunto dizem que "agora vai haver um concílio, no qual as amigas vao decidir a resposta a dar!!" e acrescentam que "Ela nao respondeu pq nao quer parecer facil ;)"

Eu continuo a não pôr de lado a hipótese de ela não ter respondido por a conversa não ter sido assim tão boa, por ter namorado, talvez, e muito mais para fazer do que responder aos avanços de um amigo de uma amiga de quem ela nem sequer gosta muito.

As mulheres não gostam de parecer fáceis. Reitero. Independentemente da razão pela qual ela não respondeu. As mulheres, portuguesas, não gostam de parecer fáceis. Corrijo. É como se não houvesse crime maior.

Um amigo diz que, em relação às mulheres, Portugal é o Afeganistão da Europa. Na noite, em Portugal, não se pode meter conversa com uma rapariga sem sermos olhados de soslaio e ostensivamente ignorados. Se tivermos sorte. Um bocadinho de azar e estamos rodeados dos amigos protectores da sua santa candura. E que santas que elas são.

Felizmente temos Espanha e o resto da Europa aqui tão perto. Felizmente, e dou graças por isso, o mundo é suficientemente grande para mim e para as mulheres portuguesas.

Turista em... (1)



Como se não fosse de Lisboa. Não sou, na verdade, mas, ao fim de alguns anos, é como se nunca tivesse conhecido outra cidade. Conheço, mas em Lisboa sinto-me em casa. Gosto do Tejo.

17 Abril 2006

O primeiro amor, esse mesmo, o primeiro, só deve ter um de dois destinos: viver perpetuamente ou desaparecer como se nunca tivesse existido.

16 Abril 2006

Não sei se há uma altura certa ara procurar o primeiro amor. Se aos 30, como eu, se aos 50, como Passmore, uma das personagens de David Lodge. Seja em que altura for, um primeiro amor tem de ser procurado. O primeiro amor tem de ser desmistificado.

12 Abril 2006

o beijo

- Dá-me um pouco mais de ti
- Que queres?
- Um beijo ao primeiro olhar
- Não estarás a pedir demais?
- Não peço senão o que desejo.
- E então?
- Atreves-te a pedir menos do que o que desejas?
- Não.
- Atreves-te a desejar menos do que o que sonhas?
- Não.
- Sonho com um beijo ao primeiro olhar.

24h

Quero a vida num só dia. Nem sempre, mas, às vezes, acontece. A vida define-se em momentos, não precisa sequer de uma dia inteiro, mas que num dia tanto acontecesse como se uma vida tivesse passado. O dia seguinte seria um renascimento.

11 Abril 2006

viagens

Foi como se nunca tivesse saído daqui. Hoje em dia podemos ir ao fim do mundo e sem que ninguém dê por isso.

10 Abril 2006

desejo-te como és

não te procuro, mas desejo-te
aprendo a gostar de ti
conheço-te
nunca te vi
não sei quem és

desejo-te como és

desejo-te, mas nao sei
como te encontrar
sei que te quero
como te desenhei
igual a ti mesma

desejo-te como és

07 Abril 2006

Esqueci-me de ti

04 Abril 2006

Hoje casava contigo...

Merche Romero
Merche Romero
bom toque de bola

divida

Ao contrário das moedas, que só têm duas, as dívidas têm várias e distintas faces. Contudo, talvez pudessemos considerar que as dívidas têm várias faces da mesma moeda.
As outras? As outras são as dívidas que não se pagam, devem-se.

03 Abril 2006

terra do nunca

Uns dirão que o filme À Procura da Terra do Nunca, Finding Neverland, trata da importância que a imaginação tem na vida humana. Outros dirão que o filme trata da importância de não deixarmos de ser criança. Para mim, o filme trata de aprendizagem.

Existem crianças que, por força das circunstância da vida, desejam tornar-se adultas, mas ainda não sabem como fazê-lo. Existem adultos que, também por força das circunstâncias, desejam voltar a ser crianças, mas já não sabem como. Este filme retrata as dificuldades que enfrentamos, enquanto adultos, em conseguir perceber que não deixámos para trás o mundo da criança que fomos, mas que o trouxemos connosco nesta viagem que é a vida. Só precisamos de o conseguir ver. Só precisamos de o conseguir sentir. Não se perde o combóio da vida.

É isto que é preciso aprender.

categorizar

Agrupo as minhas ex-namoradas em três categorias

1) Somos muito amigos e falamos quase todos os dias

2) Somos muito amigos e falamos de vez em quando

3) Somos muito amigos sempre que não falamos

02 Abril 2006

vida

Como se a vida se repetisse de forma distorcida, contorcendo o presente, recriando a realidade e mudando o passado. A vida, a nossa, repete-se e o que já vivemos deixámos de ter vivido. Foi outra vida. Foi outro dia.

31 Março 2006

na rua onde moro

não fora ela não saberia
quem foste de onde vim
desta terra que tenho em mim
que tanto destrói como cria
quem me fez num qualquer dia
sob um céu de carmim
ou de outro qualquer enfim
não interessa nem eu quereria

há na rua onde moro
uma placa que me diz

30 Março 2006

Hoje casava contigo...

Sienna Miller
Sienna Miller
my number one

28 Março 2006

Podes dar-me razão? /.2

Por vezes pensamos que uma relação, porque faz sentido, tem de existir. Fomos feitos um para o outro, por isso, a nossa relação tem de existir. Fomos feitos um para o outro e, quando a relação deixa de existir, tudo cai com ela... e uma relação não tem de existir. Existem outras perfeições. Existem outras pessoas. existem outros relacionamentos tão bons, melhores. Por isso, podemos existir, mas não temos de

(seria a explicação que daria a este post)

27 Março 2006

Hoje casava contigo...

Uma pergunta

1) Uma mulher, adiante designada como "mulher da nossa vida".
2) Uma certeza, adiante designada como "certeza"
3) Um caminho, adiante designado como "vida"

Se um dia percebermos que, com aquela que consideramos a mulher da nossa vida, não faz sentido construir uma vida a dois, com que mulher ficamos, a que certeza nos agarramos, que caminho seguimos?

Podes dar-me razão?

Uma relação não tem de existir. Não existe uma razão para que determinada relação exista. Podemos existir, mas não temos de.

25 Março 2006

palavras perigosas

Quero ver-te nua. Deixa-me sentir-te.

A meia luz, de olhos bem abertos, já não havia outro caminho, quando estas palavras se atravessaram à nossa frente. À tua frente. Tu à minha frente.
Nunca hesitaste. Ainda bem. Nunca o quis. Nunca te quis de outra forma. Em nada. Quis outro caminho e que outras palavras nos atropelassem. Fiquei com estas. Fiquei contigo. Nua.

doce

Um beijo teu.

Esse sorriso aberto, sincero, saudoso de outros tempos que nos permitimos reviver, agora cúmplices nesse pecado, sempre cúmplices, sempre pecado, agora também.

24 Março 2006

Soltar amarras

De volta a esta casa. Sem nome. A casa tem nome, não tenho eu.

Pergunto-me porque é tão difícil soltar amarras?

14 Dezembro 2005

iluminados

Diz-se por aí que os iluminados só precisam de si para serem felizes.

Eu sei do que não preciso. Eu sei que preciso mais do que sou.
para ser feliz
por enquanto

e não me queixo

13 Dezembro 2005

tudo em ti

não há senão em ti
o que os outros procuram
o que precisas
não precisas
nada mais que não
o que há em ti
não há em ti
senão o que precisas
o que os outros querem
e procuram

08 Dezembro 2005

se soubesse

se soubesse
pintava-te
a uma só cor

talvez o vermelho para
te rosar as faces
com um pouco de amarelo

se soubesse escrever
pintava-te
de A a Z
com todas as letras
que não sei dizer

se soubesse falar
pintava-te
com gritos de dor

se te soubesse
em mim